Tutorial
Antes de criar seu primeiro programa de bobinagem, vale preparar algumas informações básicas. O assistente de programas, encontrado em Filament Winding > Programs > Add a new Program, já vem com modelos prontos para máquinas, mandris, cabeçotes de saída e matérias-primas, o que facilita bastante a configuração inicial.
Para aproveitar melhor esse assistente, tenha em mãos as seguintes informações:
- a marca da IHM instalada na sua máquina e como os eixos estão configurados;
- o tipo de mandril que você vai usar e suas dimensões gerais;
- a largura de banda que sua máquina utiliza.
Esta é a tela inicial para cadastrar um novo material. Ao clicar em Criar, abre-se o formulário do material, onde você configura sua composição, unidade de medida e lista de materiais (BoM), detalhados na próxima seção.
Este formulário é onde você cadastra um material composto e informa ao sistema três coisas: qual é o produto final, qual unidade de medida é usada para controlar o consumo, e qual é a receita (lista de materiais).
Veja o que cada campo significa:
1) Nome
Um rótulo livre para o material, geralmente descrevendo a proporção resina/fibra e o tipo de roving, por exemplo "30% Resina 70% Roving Tex 2200".
2) Tipo de Material
Definido como Composto, o que significa que este item é uma mistura de vários componentes, e não uma matéria-prima única. Os tipos disponíveis são:
- Fibra — roving, tow, tecido ou véu; controla o consumo de fibra em kg, tex ou g/m.
- Resina — epóxi, poliéster, vinil éster; controla o consumo de resina em kg ou L, opcionalmente com densidade para conversão volume/massa.
- Pré-impregnado — fibra que já contém resina; medido diretamente em m, m² ou kg.
- Composto — uma receita feita de vários componentes, definida por uma lista de materiais.
- Carga — aditivos sólidos como sílica, microesferas, talco ou pigmento.
- Desmoldante — agentes desmoldantes ou filme separador, como cera, PVA ou filme release.
3) Comprimento para Calcular a Proporção
Define a quantidade-base usada para escalar a receita. Se a unidade do produto for comprimento e este valor for 1, a lista de materiais abaixo descreve o consumo para 1 km de material final; definindo-o como 10, a mesma receita passaria a valer para 10 km.
4) Unidade de Medida do Produto
A unidade em que o composto final é medido, tipicamente comprimento (km), já que na bobinagem por filamento o que se consome normalmente é o comprimento da banda/laminado ou o comprimento da trajetória.
5) Linhas da Lista de Materiais (BoM)
A receita propriamente dita: cada linha traz um componente, quanto dele é consumido, e sua unidade de medida, com opções para adicionar, editar ou remover linhas. Por exemplo, por km de composto: 2,2 kg de Roving Tex 2200, 0,942 kg de Resina e 9,8 g de MEK (catalisador).
6) OK / Cancelar
OK salva o material e sua receita; Cancelar descarta as alterações.
Esta tela é um assistente que cria um mandril a partir de um modelo pronto.
1) Nome
O rótulo que identificará este mandril nas suas listas e programas. Bons exemplos incluem tipo, diâmetros e comprimento, por exemplo "POLE Ø380-156 x 12500". Incluir esses detalhes desde já facilita reconhecer o mandril depois.
2) Modelo
Escolha um modelo de mandril pré-configurado, por exemplo "POLE Ø380-156 X 12500MM". Ao selecioná-lo, a geometria é carregada automaticamente: formato/tipo, diâmetros inicial e final, comprimento total, e outras dimensões que o modelo definir.
Ao lado do campo Modelo, o ícone de lápis permite editar as dimensões do modelo selecionado, enquanto o ícone de mais permite criar um novo modelo para salvar como padrão.
OK cria o mandril a partir do modelo escolhido; Cancelar fecha o assistente sem salvar.
Aqui você edita a geometria do mandril que o software usa para calcular a trajetória de bobinagem.
Status mostra Rascunho enquanto o mandril ainda pode ser editado. Nome é o rótulo exibido nas listas e programas. Formato determina qual modelo de forma e quais dimensões são necessárias, e atualiza o desenho esquemático de acordo.
Os parâmetros de geometria (normalmente identificados como D1–D4 e L1–L3) alimentam diretamente o desenho mostrado na tela. Campos comuns incluem:
- Datum — uma referência usada como ponto "zero" para posicionar o mandril nos cálculos.
- Diâmetro 1 / Diâmetro 2 — os diâmetros principais do mandril. Em um mandril cônico, correspondem à ponta maior e à ponta menor; em um tubo, costumam ser iguais.
- Comprimento — o comprimento do corpo principal usado na bobinagem.
- Comprimento do Eixo Superior — o comprimento do eixo/munhão de fixação.
- Diâmetro do Eixo Base — o diâmetro desse eixo de fixação.
- Fricção — o coeficiente usado pelo modelo de bobinagem.
O menu Formato oferece três formas:
- Cônico — afunilado do Diâmetro 1 ao Diâmetro 2 ao longo do comprimento.
- Tubo — um cilindro de diâmetro constante.
- Cápsula — um corpo cilíndrico com extremidades arredondadas ou elípticas.
Assim como o mandril, o cabeçote de saída (payout eye) é criado por meio de um assistente baseado em um modelo.
1) Nome
Dê um nome que aparecerá em suas listas e programas, idealmente indicando tipo de rolete, número de roletes ou modelo de máquina, por exemplo "Payout Eye 1 - 2 Rolos".
2) Modelo
Escolha um modelo de cabeçote pré-configurado (ex.: "PAY OUT"). Isso carrega automaticamente sua geometria e deslocamentos, configuração de roletes/guias, limites de largura de banda e valores padrão de ângulo ou folga, conforme definido no modelo.
Esta tela configura o cabeçote de saída e as regras que o software usa para calcular espessura, espaçamento e distância até o mandril.
1) Cabeçalho
Status mostra o estado editável (Rascunho), e Nome identifica o cabeçote de saída.
2) Lista de Faixas por Tamanho
Esta tabela de consulta informa ao sistema, para um determinado ângulo de bobinagem, qual largura de banda, material, espessura e número de filamentos aplicar. Cada linha traz o ângulo (ex.: 15°, 50°, 65°, 90°), a largura de banda, o material usado, a espessura de camada esperada e o número de filamentos, com ícones para editar ou excluir linhas e um botão para adicionar novas. Essa tabela determina diretamente a largura de banda, a espessura e o consumo de material sempre que você gerar um programa em um ângulo correspondente.
3) Regra de Distância
Define qual regra o sistema usa para calcular a posição do cabeçote em relação ao mandril. Três opções estão disponíveis:
- Comprimento de Roving — baseada no comprimento real do caminho da fibra entre o cabeçote e a superfície do mandril; a opção mais fiel à geometria real, adequada para mandris cônicos ou em cápsula.
- Distância Constante do Mandril — mantém um afastamento fixo em relação à superfície do mandril, ajustando-se automaticamente conforme o raio local muda; útil quando a máquina deve sempre manter uma distância definida da peça.
- Distância Fixa do Eixo Central do Mandril — mantém uma distância constante em relação à linha de centro do mandril, em vez da superfície; indicada para máquinas referenciadas pela linha de centro.
4) Distância ao Mandril
A distância de afastamento entre o cabeçote de saída e o mandril, que afeta a geometria do caminho da fibra, a precisão do ângulo próximo a transições e a folga de segurança contra colisões.
5) Deslocamento Transversal
O deslocamento lateral do cabeçote de saída em relação à linha de centro do mandril.
6) OK / Cancelar
OK salva a configuração do cabeçote de saída; Cancelar descarta as alterações.
Esta tela é um assistente que cria um perfil de máquina a partir de um modelo, que define a configuração dos eixos e o comportamento de pós-processamento usado ao gerar o programa.
1) Nome
Digite um nome que identifique a marca do controlador e o conjunto de eixos, por exemplo "Kollmorgen 4 Eixos FW".
2) Modelo
Escolha um modelo de máquina pré-configurado — as opções normalmente incluem controladores como TexComputer, Kollmorgen (3 ou 4 eixos), Mach3 ou LinuxCNC. Um modelo de máquina define quais eixos existem, o que cada um representa (por exemplo, rotação do mandril, deslocamento do carro, aproximação, rotação do cabeçote), suas convenções de sentido, unidades e escalas, e o formato de saída/pós-processamento para aquele controlador.
Esta página configura as definições gerais da máquina, os limites e velocidades dos eixos, e como o software escreve o programa de saída.
1) Campos gerais
Status mostra o estado do perfil (Rascunho enquanto em teste). Nome e Descrição identificam o perfil. Extensão do Arquivo Gerado define o tipo de arquivo exportado (.nc, .tap, .txt, .pgm) conforme seu controlador. Sistema de Unidades alterna entre métrico e imperial para todas as dimensões e valores de avanço. Fricção é um coeficiente usado pelo modelo de trajetória.
2) Resolução da trajetória
Distância de Pontos na Reversão e Distância de Pontos na Geodésica controlam o espaçamento de pontos (e, portanto, a suavidade versus o tamanho do programa) nas zonas de reversão e na zona regular de bobinagem. Número de Pontos em 360 Graus define com que precisão uma volta completa do mandril é representada.
3) Filtragem/suavização de saída
Um filtro opcional de G-code pode suavizar o caminho gerado. Configurações relacionadas incluem um fator de Suavização para atenuar cantos bruscos, Editar Linhas ao Redor para controlar quantas linhas vizinhas são ajustadas, e uma opção de Reduzir Linhas em Movimento Linear que combina pequenos segmentos lineares para gerar um programa mais leve.
4) Lógica de velocidade/avanço
Velocidade Tangencial da Fibra define a velocidade de superfície alvo usada para calcular os valores de avanço. Unidade de Medida do FeedRate deve corresponder ao que seu controlador espera (por exemplo, mm/min). Tempo Mínimo de Processo é um parâmetro de segurança que evita passos de tempo irrealisticamente pequenos.
5) Tabela de eixos
Cada linha define o tipo do eixo, velocidade máxima, limites mínimo/máximo, aceleração e unidade de medida. Em uma configuração típica de 4 eixos: A é a rotação do mandril, Y é o deslocamento do carro de impregnação, X é a distância de aproximação ao mandril, e Z é a inclinação do cabeçote de saída. Esses limites mantêm o programa gerado dentro das capacidades físicas da máquina.
6) Blocos do pós-processador
Blocos de texto grandes montam o arquivo de saída final: um comentário de cabeçalho com dados do mandril, um cabeçalho de ciclo que define modos de posicionamento e imprime um resumo do ciclo, blocos de subprograma e chamada de subprograma que agrupam ciclos repetidos, um rodapé, e uma pré-visualização compilada mostrando a ordem em que todos os blocos são concatenados.
Este exemplo mostra como o texto do programa é efetivamente montado a partir de seus blocos: cabeçalhos, chamadas de subprograma, linhas de movimento e rodapés.
1) Head $C — Cabeçalho Principal
As primeiras linhas do programa, tipicamente um marcador de início e um número de programa (ex.: O1000), seguidos de um comentário preenchido com valores do mandril, como nome, diâmetro da base, diâmetro do topo e comprimento.
2) Head $PC — Cabeçalho de Ciclo
Inserido antes do início de cada ciclo de bobinagem: um comentário que resume o ângulo, diâmetro, índice, largura de banda, nome do cabeçote e comprimento de roving do ciclo, seguido de comandos que definem o modo, como G90 (absoluto), um movimento rápido de posicionamento, G91 (incremental) e G64 (caminho contínuo), além de uma parada opcional, se habilitada.
3) Group $PROGRAM — Definição do Subprograma
Define o corpo do subprograma que será executado repetidamente, começando com um número de subprograma e terminando com um comando de fim de subprograma (M99) após o espaço reservado para a linha de movimento.
4) Group $PA — Chamada do Subprograma
Informa ao programa principal para executar aquele subprograma um determinado número de vezes, usando uma chamada M98 com o número do subprograma e uma contagem de repetições.
5) Cycle $PLA — Linha de Movimento Principal
O movimento multieixo central de um passo incremental da bobinagem: valores incrementais para os eixos de rotação, transversal, aproximação e inclinação, um avanço (feedrate), e um comentário de depuração ao final com o número do ciclo e a posição absoluta de cada eixo.
6) Todos os Ciclos
Quando habilitado, o pós-processador gera todos os ciclos definidos (todas as combinações de ângulo, largura de banda e material do trabalho), e não apenas um.
7) Footer $PF — Rodapé Principal
Um bloco opcional inserido logo antes dos comandos finais de encerramento do programa.
8) Compiled $C
Uma lista de pré-visualização mostrando quais blocos — cabeçalho, cabeçalho de ciclo, subprograma, chamada de subprograma, rodapé — são concatenados, e em que ordem, para formar o programa final.
9) Footer $R — Fim do Programa
Os comandos finais de encerramento, tipicamente M30 (fim de programa e rebobinamento), com qualquer formatação de prefixo específica do controlador de destino.
Cabeçalho do Programa
Status mostra se o programa está em Rascunho ou Concluído. Nome e Descrição o identificam, e Mandril seleciona a geometria usada para os cálculos e a simulação.
Configuração de Máquina / Cabeçote de Saída
Um painel dedicado define as "entradas do compilador" do programa: um campo de observação opcional, o perfil de Máquina, uma opção de Múltiplos Cabeçotes de Saída para configurações com vários cabeçotes, a configuração do Cabeçote de Saída, a receita de Material, o Número de Filamentos, e o Nome do Arquivo G-Code de saída. Caixas de seleção opcionais incluem Múltipla Velocidade (lógica de velocidade variável), Aumentar Extremidade (reforço próximo às pontas), Escalonamento de Espessura, Espessura Afunilada e Ciclo 3D (visualização em 3D).
Camadas
A receita do programa é uma lista de camadas, cada uma representando uma operação de bobinagem com um comentário, ângulo, inversão de rotação opcional, tipo de bobinagem (ex.: Helicoidal), posição inicial, comprimento, espessura, e um número de filamentos calculado automaticamente. Rampa de entrada/saída e uma parada opcional podem ser definidas por camada, e botões permitem adicionar, reordenar, editar ou excluir camadas. Cada camada também informa o consumo parcial de material, enquanto o programa como um todo mostra o consumo total.
Editor de Camada
Ao abrir uma camada, os mesmos campos aparecem em detalhe — informações do compilador, comentário, ângulo, rotação, tipo de bobinagem, posição, comprimento, espessura, contagens de filamentos, rampas e parada — além de, para aquela camada, um gráfico de espessura versus comprimento, perfis de velocidade por eixo, e um detalhamento do consumo de resina, catalisador e roving.